sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Cantiga dos Pastores


"Cantiga dos Pastores", de Adélia Prado, e a tela de Rembrandt "Adoração dos Pastores". Pastores de ovelhas...pessoas simples, como deveriam ser os que apascentam o rebanho de Cristo.

Cantiga dos Pastores

Adélia Prado


À meia noite no pasto,
guardando nossas vaquinhas,
um grande clarão no céu
guiou-nos a esta lapinha.
Achamos este Menino
entre Maria e José,
um menino tão formoso,
precisa dizer quem é?
Seu nome santo é Jesus,
Filho de Deus muito amado,
em sua caminha de cocho
dormia bem sossegado.
Adoramos o Menino
nascido em tanta pobreza
e lhe oferecemos presentes
de nossa pobre riqueza:
a nossa manta de pele,
o nosso gorro de lã,
nossa faquinha amolada,
o nosso chá de hortelã.
Os anjos cantavam hinos
cheios de vivas e améns.
A alegria era tão grande
e nós cantamos também:
Que noite bonita é esta
em que a vida fica mansa,
em que tudo vira festa
e o mundo inteiro descansa?
Esta é uma noite encantada,
nunca assim aconteceu,
os galos todos saudando:
O Menino Jesus nasceu!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Nome Bendito


Rupnik, em "O Caminho da Vocação Cristã": " Crer em Cristo significa também pensar como Ele, isto é, vencer perdendo, viver morrendo, receber doando".
O infinito fez-se finito. O Deus onipotente fez-se dependente do colo de Maria. O Leão fez-se Cordeiro. Ele é Aquele que merece ser servido, mas lava os pés dos discípulos. Este é Jesus. Nome Bendito. A Ele nos curvamos.

Nome Bendito
Letra e Música: Silvestre Kuhlmann

Tu és o Deus infinito
Que por nós se fez finito;
És o Cordeiro Imolado.

E nada é mais bonito,
Nem nome há mais bendito
Que o de Jesus Cristo amado.

E eu só posso me curvar e dizer
Que Tu és todo o meu prazer
E a minha glória é pertencer

A Ti, meu rei, meu dono e meu viver,
Vem ser Senhor de todo o meu ser,
A Ti pertencem honra e poder.

E quando Teus olhos fito
Não mais me sinto aflito,
Por Seu olhar sou curado;

Me sinto puro e aceito,
Aconchegado ao Teu peito,
Limpo de todo o pecado.

sábado, 13 de novembro de 2010

Como Será o Dia de Amanhã?

Soneto baseado em Mateus 6:25-34

Como Será o Dia de Amanhã?
(Letra: Silvestre Kuhlmann /
Música: Jônatas de Souza)

Como será o dia de amanhã?
Isto, a mim não importa saber
É Ele quem me sustenta o viver
É Ele quem faz a nova manhã

Que seja minha fé, assim, tamanha
A ponto de não me apegar ao ter
A ponto de não segurar, reter,
Tornando a existência triste e enfadonha

Basta a cada dia o seu mal
Deixar-me aos meus cuidados é fatal
O lírio sabe as mãos que Lhe tecem

Que eu me ocupe em ser luz e ser sal
Buscar seu Reino a lida principal
As aves, sem semear se abastecem

domingo, 3 de outubro de 2010

Ao Cristo Crucificado



Belíssimo soneto atribuído a Teresa de Ávila(1515-1582) sobre o desejo de Deus







Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Alegria Sem Mistura


A alegria que experimentamos aqui vem misturada com tristeza, dor, doença, morte. Mas um dia, O veremos (Visão Beatífica), e o vislumbre de Sua face irá fazer com que esqueçamos para sempre toda a dor e pesar. A alegria será sem mistura.

Alegria Sem Mistura
Letra e Música: Silvestre Kuhlmann

Cá na Terra não há alegria pura,
Também não vejo aqui amor perfeito;
Felicidade que mora em meu peito,
Com dor e com tristeza se mistura.

O prazer que desfruto pouco dura,
Melancolia vai comigo ao leito;
É um desassossego tão sem jeito,
Remendo nem remédio algum me cura.

Mas sei que um dia verei o Teu rosto,
E esta visão somente bastará,
Pra transformar em riso meu desgosto.

O brilho que há em Ti não findará,
E este luzir irei fitar com gosto,
E a glória Tua em mim transbordará.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

No Oculto de Seu Quarto

Soneto baseado no texto de Mateus 6:5-6: "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará."
A recompensa esperada é a Presença do Pai, que se torna a única necessidade daquele que O busca.

No Oculto de Seu Quarto
Letra e Música: Silvestre Kuhlmann

No oculto de seu pequenino quarto
Portas fechadas, sem fazer alarde,
O moço presta culto; o peito arde.
Busca da Água e do Pão que o torna farto.

E diz ao seu Amado: Não me aparto
Deste lugar quer seja cedo ou tarde.
Nada me impedirá que eu Te aguarde;
Se não vieres a mim, daqui não parto.

De que me vale ter todas as coisas?
A fome em minha alma não se mede.
Virás pra saciar a minha sede?

Tesouros vãos se vão.São ventos, brisas,
Quero buscar primeiro a Ti e ao Reino;
No qual quero chegar feito menino.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Riso de Adão

Inspirado no livro “O Paraíso Perdido”, de John Milton. Adão vislumbra a vinda do Messias, e louva a maravilhosa soberania do Pai, que do evento mais terrível -a queda- gera o mais belo de todos – a encarnação de Cristo.

Riso de Adão
Letra e Música:Silvestre Kuhlmann

Oh! Bondade sem fim, bondade imensa!
Tiras de tanto mal um bem tamanho?
Tu transformaste em luz a treva densa,
E até do meu pecado causas ganho?

Da minha geração o Justo nasce!
Não há mais linda história, fé ou crença;
Mais bela criação n’Ele renasce,
Do que a primeira brilha mais intensa.

Até os anjos, no céu, se admiram,
E dizem a uma voz: “Digno é o Cordeiro!”
Um fato igual a este nunca viram.

O amor, na cruz, provou-se verdadeiro,
E o brilho do Messias louvam, miram.
Ele é o Senhor. O Último e o Primeiro.