sábado, 30 de abril de 2016

A Ovelha Perdida (Silvestre Kuhlmann)

Tanta ovelha no redil/Mas em mim sinto um vazio.../Aqui tem noventa e nove/Eu te digo o que é que houve:/ Uma ovelha sumiu,/Foi roubada ou fugiu?/Fora do meu aprisco/Ela está correndo risco./No meio do meu rebanho/  De nenhuma eu desdenho,/ Todas são tão importantes/ Mesmo as mancas e doentes;/ Eu as curo com cuidado;/ As dispersas, meu cajado/ Traz sempre para perto;/  Meu amor é imenso e certo./ Minha ovelha perdida/ Onde andará escondida?/ Será que encontrou comida?/ Será que ainda tem vida?/ São tantos os maus pastores,/ São tantos os predadores/ Que querem sua lã e couro,/ Mas ela é meu tesouro!/ Ela é dócil, e indefesa,/ No campo tem lobo e raposa,/ Vida aqui é perigosa,/ Ela é mansa e amorosa./ Não quero que ela pereça,/ Quero que ela apareça,/ Por isso eu irei buscá-la,/ Com insistência vou chamá-la;/ Reconhecerá minha voz?/ Ela é do meu rebanho,/ Não seguirá o estranho,/ Virá correndo veloz!/ Indo por desfiladeiros,/ Abismos, despenhadeiros,/  Meu andar, acelerado,/ Meu ouvido era aguçado/ Quando ouvi o seu balido,/ Foi música ao meu ouvido,/ Estava cansada e com medo,/ Mas corri logo ao seu lado;/ Peguei-a em meus braços,/ Coloquei-a sobre os ombros,/ Aliviei seus cansaços,/ Sosseguei-a dos assombros,/ A levei pra minha casa,/ Reuni vizinho, amigo,/ Preparei a minha mesa/ E a todos logo digo:/ Vamos celebrar a festa,/ Minha ovelha era perdida,/ Voltou ao rebanho com vida,/ Não há outra igual a esta!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Fariseu e o Publicano (Silvestre Kuhlmann)

Dois homens foram ao templo orar / Um fariseu, e o outro publicano;/ O fariseu orava a Deus? Engano! / Era de si pra si, a se exaltar. / E logo começou a enumerar: / Não sou como este homem profano,/ Jejuo, dou dízimo, me ufano,/ Não sou como os outros, sou exemplar / O outro olhava pro chão humilhado,/Batia no peito: Sou pecador! / Tem misericórdia de mim, Senhor! / Jesus diz: Este foi justificado,/ Pois quem se humilha será exaltado / E quem se exalta, perde o louvor.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dois Filhos (Silvestre Kuhlmann)

Quis logo a herança o mais moço,/Foi pra longe em sua andança / E sem pesar na balança /Gastou. No fundo do poço / Nada tinha, nem pro almoço;/Então veio à sua lembrança: / Tive lar, tive abastança / Na casa do Pai que é nosso. Caiu em si, com remorso / Começou assim a mudança, / Na mente fez a sentença / Em arrependimento imerso / Vou voltar e ao pai dizer: / Veja só o meu pecado / Trate-me como empregado / Filho não mereço ser. / E o pai vendo-o distante /Correu, lançou-se ao pescoço / Do moço. Fez alvoroço./Ordenou em um instante: / Ponham nele a melhor veste / E um anel em seu dedo / Ele voltou do degredo / Tragam sandálias pra este! / Matem o novilho cevado / Comamos com alegria / Com dança e cantoria / Pois meu filho foi achado! / Voltando o filho primeiro / Do campo em que trabalhava / Ouviu o som que soava/ E a um servo indagou ligeiro: / Que cantoria é esta? / E ouviu: Teu irmão voltou / São e salvo retornou / E seu pai fez uma festa / O mais velho, indignado,/ Não entrou, ficou de fora / Saiu o pai: Comemora! / E o mais velho deu um brado: / Eu te sirvo há temporadas / Nunca desobedeci / Cabrito, não recebi / Pra juntar meus camaradas / Este que desperdiçou / Os teus bens com prostitutas / Sem dividir as labutas / O bezerro aproveitou / O pai lhe disse: meu filho / Tu sempre estás comigo / És servo ou és amigo? / É teu o vinho, o novilho / Tudo o que tenho é teu / Era justo festejarmos / E também nos alegrarmos / Pelo irmão que reviveu.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Jó (Silvestre Kuhlmann)

Havia um homem que se chamava Jó
Ele morava na terra de Uz,
Ele tinha galinha carijó, curió,
Ouro em pó, tudo o que reluz.

Ele era rico, tinha camelos,
Tinha três filhas e sete filhos belos,
Mas o mais importante: era bom e justo!
Só fazia o certo, não media o custo.

Um dia o “coisa ruim”, apresentou-se a Deus
Que lhe perguntou: Onde você andava?
E ele disse: pela Terra perambulava...
E Deus falou: Você viu Jó? O melhor dos servos meus?

E o “coisa ruim” lhe respondeu:
Ele te ama por interesse
Riqueza e gado e bens lhe deu
Você lhe responde toda prece...

E o “coisa ruim” pediu permissão
Pra provar que Jó não lhe amava não
E Deus lhe autorizou a tirar o que Jó tinha
E o “coisa ruim” pensou: Ele vai sair da linha.
Vou pegar Jó, sem dó, deixarei ele só.

E veio um mensageiro dizendo:
Homens maus e folgados
Mataram o gado e os empregados
E veio outro e disse: Caiu fogo do céu
Ovelhas foram pro beleléu
Veio mais um outro e contou:
Um bando os camelos levou
Veio mais um mensageiro ainda:
E disse: um vento derrubou a casa linda
E os filhos estavam dentro dela...

Jó rasgou a roupa bela
Rapou a cabeça, e prostrou-se no chão
E a Deus elevou esta canção:
Nasci sem nada / Morrerei sem nada,
O Senhor bens me entregou / E os bens levou

Ouve meu grito: Sejas bendito!

sábado, 28 de setembro de 2013

Balaão e a Jumenta (Silvestre Kuhlmann)

O povo de Israel / Com ajuda do céu / Crescia e ganhava / As lutas em que entrava //Balaque era um rei /Muito “de araque” / Tinha medo de um ataque / Até de balas tic-tac // Pediu a Balaão /Que lançasse a maldição /Pra que ganhasse a guerra /E os expulsasse da terra //Balaão falou:/Ouvi sua proposta/Mas só vou fazer/O que de Deus tiver resposta//E o que de Deus foi dito?/“Este povo é bendito”/Com Balaque não irás/E nem mal dirás”//Mas Balaque insistiu/Ele não desistiu/E os prêmios aumentou/Balaão novamente falou:/Gostei de sua proposta/Vou buscar de Deus resposta/E Deus disse:” Vai /Mas fale só o que de minha boca sai”//Balaão bem cedinho/Se pôs pelo caminho/Tomou sua jumenta/E disse: Vamos, fedorenta!//Mas Deus mandou um anjo/Um baita de um marmanjo/Com espada na mão/E a jumenta fugiu feito rojão// Então Balaão que não via o anjo não/Bateu na jumenta com seu bordão/E o anjo novamente se pôs à frente/E a jumenta viu um lugar somente/A parede. E espremeu o pé de seu patrão/Que a espancou de novo com seu bordão//E o anjo ficou num lugar estreito/E a jumenta não vendo mais nem um jeito/Deitou-se debaixo de Balaão/Que pela terceira vez usou seu bordão//E a jumenta não agüenta/Abre a boca e se lamenta:/Há quanto tempo em mim se assenta?/Outra vez já fui tormenta? /E Balão seu patrão/Respondeu a ela: Não!/Não é o seu costume/Seu problema é só o estrume.//E o anjo do Senhor lhe abriu a vista/Balaão viu a espada e abaixou a crista/E o anjo disse: se a jumenta não fugisse de mim/Certamente hoje seria o seu fim/Balaão pediu perdão/E mudou seu coração/E o anjo deu-lhe permissão/A prosseguir e dizer bênção e não maldição.